Acho sempre divertido escrever sobre a prática de exercício já que o evitei durante grande parte da minha vida. Transpirar? Que horror! Mexer-me? Não! Muitos “traumas” nas aulas de educação física cujo mérito foi “deseducar” e reforçar a falta de apetência que nessa altura já demonstrava.

Lembro-me da primeira sessão de ginásio que fiz há uns anos ter dito ao professor “eu não sei correr, eu não gosto de fazer exercício”. Que bom enquadramento logo para começar!

Com o tempo fui descobrindo que gostava de praticar exercício e, olhando para trás, hoje reconheço algumas coisas que me ajudaram.

Se está a viver a história que eu vivi há alguns anos, talvez estas ideias o ajudem. Vou partilhá-las hoje já que sei que há muita gente que tem como resolução de ano novo começar a praticar exercício.

1. Tomei a decisão de que isso era importante

Acho que este foi o passo fundamental no meu caso. Em particular no início de 2016, quando fiz o balanço do ano que passou, notei que andava a “arrastar” o objetivo de me sentir mais em forma há vários anos.

Era verdade que tinha começado a praticar exercício com mais frequência e visto resultados mas ainda não eram os que eu desejava. Tinha tido um empenho médio e consequentemente os resultados eram médios.

A tomada de decisão de que a prática de exercício era importante para mim ajudou-me, em alguns momentos, a priorizar e gerir o meu tempo. Como já escrevi aqui em vários artigos, em vez de dizermos “eu não tenho tempo para praticar exercício”, podemos pensar “aquilo que eu faço em vez de praticar exercício é mais importante”. Com esta reformulação linguística descobrimos que muitas vezes aquilo que fazemos não é mais importante. Por exemplo, há dias em que me levanto mais cedo para criar o tempo que preciso.

Quando não decidimos que a prática de exercício é importante, provavelmente não levaremos isso a sério. Comece por identificar as razões pelas quais é importante para si praticar exercício. Podem ser objetivos relacionados com a sua saúde, forma física, energia, dar o exemplo a outros como por exemplo aos seus filhos, reforçar a imagem que tem de si mesmo como alguém que cumpre aquilo a que se propõe. Descubra as razões que ressoam consigo (e não as que outras pessoas ou a sociedade lhe tentam impingir).

2. Mudei a minha história

Todos nós temos “histórias” sobre quem “somos” em determinados contextos. Durante muito tempo a minha “história” foi “eu não tenho jeito para praticar exercício, não gosto, não quero”. Imagina o impacto desta “história”?

Ajuda criar uma nova história, que no meu caso, curiosamente foi reforçada de fora para dentro. Por exemplo, ter professores que desafiam acreditando que “não consegues hoje mas um dia vais conseguir” mesmo que isso implique ficarem ao lado e fazerem quase toda a força para levantar um peso, ou proporem experimentar algo novo porque “vais gostar”…. Vou gostar? Olha, gostei!

Tudo isto começou a transformar a história da minha relação com o exercício.

Reflita um pouco sobre qual é a sua “história” sobre a sua relação com o exercício. Escreva outra se esta não lhe servir!

3. Passei a gostar da coisa em si

A motivação criada pelo foco num objetivo inspirador associado a um resultado que acontecerá no futuro (como por exemplo perder peso, sentir-se mais saudável) é um bom passo para começar mas nem sempre nos ajuda no dia-a-dia a manter a motivação.

É mesmo importante gostar da “coisa” em si, tirar prazer da atividade.

Isto pode passar por escolher uma modalidade de que goste. Não vale a pena torturar-se a fazer algo que não gosta. No entanto, pela minha experiência, por vezes é preciso dar algum tempo para apreciarmos a atividade/modalidade. É como aprender a tocar um instrumento. No início, os sons que produzimos são toscos e com uma leve parecença com música o que pode ser desmotivador. Se pararmos nessa fase nunca vamos ter o prazer de criar música.

Ajuda, por exemplo, focarmo-nos nos pequenos progressos tendo consciência de que se consegue fazer mais, ou mais depressa, ou com menos sofrimento do que antes.

Ver o progresso de outros ou falar com outras pessoas que já tenham passado ou estejam a passar pelo mesmo pode inspirá-lo. Eu comecei assim!

Outra estratégia é praticar exercício com outras pessoas o que, além de o tornar mais divertido (desde que não sejam pessoas que passam o tempo a reclamar) também contribui para criar o compromisso com os outros.

Também se pode motivar não com a atividade em si mas com o modo como se vai sentir fisicamente e psicologicamente (uau, hoje fiz!) imediatamente depois da prática de exercício.

Se não tem ideia nenhuma de que tipo de atividade gostaria, fale com pessoas que pratiquem exercício. Ou inscreva-se num ginásio com vários tipos de aulas para experimentar e com acompanhamento profissional.

4. Criei o hábito e o plano B

Esta estratégia para mim não foi grande novidade mas é um passo essencial.

Se quer que a prática de exercício se torne uma rotina na sua vida, precisa de desenhar essa rotina. Pode fazer muito melhor do que definir que “vou praticar exercício 3 vezes por semana”. Experimente decidir de antemão em que dias, a que horas e o que vai fazer evitando assim a decisão (que gasta energia e força de vontade) no dia-a-dia. E quando essas alturas chegarem, faz!

Crie também o plano B, ou seja, o que vai fazer quando, por algum motivo, a rotina não se realizar. Comece por listar as razões (e também as “histórias”) pelas quais poderá não seguir o seu planeamento. Depois, defina o que fazer nessas situações.

Por exemplo, uma razão que leva algumas pessoas a faltarem ao ginásio ao fim do dia é terem reuniões que demoram mais e não lhes permitem sair a horas. Neste caso pode, por exemplo, decidir várias coisas:

  • Nos dias dessas reuniões, vou praticar exercício noutro horário.
  • Quando as reuniões atrasam, vou praticar menos tempo, ou fazer algo extra no dia seguinte, ou programar um passeio a pé no fim de semana.

Seja criativo!

Pensamentos finais

Às vezes custa? Sim. É sempre possível? Não.

Qual é o impacto da nossa postura e das nossas “histórias” no resultado? Enorme.