Era uma vez uma formiga, talvez aquilo a que se chame uma formiga de sucesso. Era reconhecida no seu trabalho, líder de uma grande equipa de formigas que estavam a construir uma das maiores e mais complexas obras subterrâneas conhecidas até hoje. O trabalho consumia-lhe a maior parte do seu tempo.

Um dia encontrou uma cigarra que já não via há algum tempo. Depois de um efusivo cumprimento, a cigarra elogiou-lhe os sapatos vermelhos e deslumbrantes que estava a usar. Na realidade, um dos maiores prazeres da formiga era comprar sapatos e tinha uma coleção vastíssima não tivesse ela 8 pés!

A cigarra perguntou-lhe onde os tinha comprado e quanto tinham custado e após isso fez-lhe um pedido que deixou a formiga muito desconfortável: “Dás-me 600€ para comprar uns iguais?”. Nunca ninguém lhe tinha tão descaradamente pedido dinheiro e com a maior delicadeza que conseguiu disse que não.

A cigarra, parecendo não ter ficado muito magoada com a recusa, fez-lhe outro pedido “Mudei-me para esta zona há pouco tempo. Tens uma hora para me mostrar as redondezas?” A formiga acedeu e foi passear com a cigarra.

Nesse dia chegou ainda mais tarde a casa e contou o que se tinha passado. Para sua surpresa o marido perguntou-lhe “desde quanto é que o teu tempo vale menos do que o teu dinheiro?”. E ficou a pensar nisso…

No dia seguinte começou a olhar para todos os pedidos a que nos últimos dias tinha dito que sim, sem ter conseguido usar a mesma assertividade que tinha usado quando a cigarra lhe tinha pedido dinheiro. Desde quando é que o seu tempo passou a valer menos do que o seu dinheiro? Desde quando é que é normal dizer não se lhe pediam dinheiro e dizer sim se lhe pediam tempo? A formiga lembrou-se do mantra “Tempo é dinheiro” e começou a pensar no que aconteceria se tratasse o tempo como um recurso mais precioso do que o dinheiro. Se ela era capaz de poupar dinheiro para a sua coleção de sapatos, conseguiria também poupar tempo para outras coisas? E gastou algum tempo a pensar nisso…