Muitos dos meus clientes são engenheiros e reconheço que, devido à natureza da função, em particular os diretores de obra são uma das funções da Engenharia em Portugal que enfrenta maiores dificuldades em conseguir responder aos objetivos dos projetos e simultaneamente manter um equilíbrio nas várias dimensões da sua vida. Neste artigo, vou falar sobre isso.

Comecei por tomar consciência desta realidade já há alguns anos no papel de cliente quando construí uma casa e, nos últimos anos, trabalhando com vários diretores de obra no âmbito de cursos e programas de coaching.

Por isso, nos últimos meses, tenho pensado sobre como posso ajudar especificamente este grupo de profissionais. A solução não passa só por capacitá-los em melhores estratégias de gestão de tempo porque as necessidades são bem mais profundas e, inclusive, algumas refletem problemas estruturais e culturais do mercado onde operam.

Quando a ideia de fazer um programa de treino direcionado a diretores de obra começou a surgir, senti a necessidade de consolidar a minha perceção das necessidades destes profissionais e por isso, além de um questionário online, falei com vários diretores de obra, diretores de produção e fiscais.

Comecei por pensar que a maior necessidade estava essencialmente relacionada com a gestão de tempo e organização pessoal mas isso é a ponta do iceberg.

Há com certeza uma necessidade grande de conseguir lidar com a quantidade de informação para gerir, as inúmeras solicitações, os prazos serem urgentes, e alguns até para ontem, mais as grandes e pequenas tarefas a realizar. Para responder a tudo isto o diretor de obra não se pode dar ao luxo de prescindir de rotinas e sistemas/ferramentas que o suportem neste trabalho.

Mas há também uma necessidade, que pode parecer de menos importância, mas que é um dos pilares para tudo o resto: a gestão pessoal e atitudes a que o diretor de obra consegue aceder no dia-a-dia. A gestão da sua energia e de recursos emocionais que o ajudem a lidar de um modo resiliente com o ritmo, problemas e conflitos diários que enfrenta é muito importante.

Uma, se não a maior dificuldades, é a gestão de interesses, por vezes em conflito, dos inúmeros intervenientes. É essencial ser capaz de:

  • Gerir expetativas e apoiar (e nalguns casos “educar”) o cliente por exemplo na tomada de decisão;
  • Coordenar-se e comunicar com fiscalização e projetistas;
  • Criar uma equipa autónoma e proactiva em que possa confiar;
  • Conseguir criar parcerias de confiança com subempreiteiros, fornecedores e a própria equipa e garantir o compromisso de todos na qualidade e prazo de execução.

Tudo isto passa por conseguir comunicar eficazmente e criar confiança com esta grande equipa.

Por fim, a gestão da obra (onde a comunicação é parte integrante e central) sofre muitas vezes por partir de uma proposta/plano inicial que não acreditam ter condições para realizar. Uma das pessoas com quem falei na fase de investigação usou uma imagem de me pareceu clarificar o que se passa de uma maneira muito clara: o plano de projeto por vezes não é um plano, é um desejo! E um plano-desejo dificilmente é um bom ponto de partida para a gestão de qualquer projeto e leva muitas vezes a uma gestão de riscos muito superficial.

programa-treino-diretor-obra

Claro que, como já referi, a questão conjetural e o mercado têm um grande impacto em tudo isto. Só que, como acredito profundamente, não é por não podermos mudar tudo, que não podemos mudar algumas coisas.

O programa de treino para diretores de obra que estou a criar, e neste momento a testar, nasce porque acredito nisso mesmo. Há coisas que podem ser transformadas a nível individual que podem ter impacto no resultado final, não só ao nível do negócio como também ao nível dos resultados individuais e satisfação dos diretores de obra.

Quero mesmo poder contribuir para isso! 🙂

Se estiver interessado em saber mais sobre este programa, deixe aqui o seu contacto!

Se tiver algum comentário ou sugestão de tema que gostaria de ver abordado, envie-me aqui um email. Grata!