Partilho hoje uma história/texto adaptado e traduzido do livro “Who ordered this truckload of dung?” do Ajahn Brahm.

Muitos têm um jardim ou um espaço tranquilo mas poucos conseguem desfrutar da sua tranquilidade, em tranquilidade.

Algumas pessoas antes de se permitirem desfrutar da tranquilidade do jardim pensam que antes têm que resolver todas as pequenas coisas que precisam de ser tratadas: cortar a relva, tratar das flores, cortar os arbustos, varrer o chão…e obviamente o seu tempo livre é consumido com uma fração de todas estas pequenas coisas. O trabalho nunca está terminado, por isso nunca têm um momento de tranquilidade.

Outros ignoram essas ferramentas e as pequenas coisas que precisam de ser feitas, sentam-se no jardim a desfrutar de uma revista, provavelmente sobre a natureza. E isso, é estar a desfrutar da revista, não a desfrutar da tranquilidade no jardim.

Outros põem de parte as pequenas coisas que têm que ser feitas, as revistas, o radio, etc. e sentam-se tranquilamente no jardim … por dois segundos. Após dois segundos começam a pensar “preciso mesmo de cortar a relva, preciso de regar as flores e apanhar aquele lixo do chão, se calhar devia ir à loja comprar mais rosas para aquele canto”. Eles estão a desfrutar do pensar e planear e não há tranquilidade aqui.

Os quartos, os mais sábios, consideram “eu trabalhei suficiente, agora é tempo para disfrutar dos resultados, para ouvir a paz e a tranquilidade”. Por isso, embora a relva precise de ser cortada, embora seja preciso regar as flores, agora não.”. Assim, encontram a tranquilidade no seu jardim, embora não esteja perfeito.

Às vezes podemos permitir-nos disfrutar de 15 minutos de tranquilidade na perfeita imperfeição do nosso jardim, da nossa vida, sem pensar, sem planear, sem nos sentirmos culpados. Todos merecemos isso. Depois desses 15 minutos podemos continuar com as nossas tarefas no nosso jardim.