As férias podem ser uma boa altura para criar ou mudar hábitos, ou pelo menos para começar a pensar nisso. Hábitos são comportamentos que fazemos repetidamente sem pensarmos muito nisso. Alguns destes comportamentos contribuem para aquilo que queremos ser e outros nem tanto.

Quando nos falam de hábitos tendemos a pensar em coisas como fazer ou não exercício, comer doces, beber, fumar e outros comportamentos que por vezes são levados ao extremo. No entanto, coisas como as nossas rotinas, o percurso que fazemos para o trabalho, qual a primeira coisa que fazemos quando chegamos ao trabalho, como nos relacionamos com os outros (por exemplo quando nos “salta a tampa”) e até as nossas emoções são rotinas automáticas também consideradas hábitos.

Os hábitos são escolhas deliberadas que fizemos no passado e que depois continuámos a fazer sem ter que pensar nelas. São rotinas neurológicas que resultaram de uma escolha no passado (mesmo que essa escolha não tenha sido racional ou até consciente) e que se transformaram em comportamentos automáticos, muitas vezes não conscientes.

Estudos sugerem que 40% das nossas ações diárias não são fruto das nossas decisões mas sim de hábitos, de comportamentos inconscientes, resultado natural de uma das estratégias do nosso cérebro para poupar energia (se for automático e não tiver que pensar nisso, cansa-se menos). A transformação de tarefas rotineiras em hábitos, poupa energia e liberta espaço para outras tarefas. Se conduz, já com certeza teve a experiência de adotar um caminho que faz com frequência num dia em que não queria ir por ali. Muitas vezes até dizemos que íamos em piloto automático.

transforme-habitos-versao-impressaNo meu pequeno livro/ebook Transforme os seus hábitos (clique aqui se quiser adquirir a versão impressa ou digital), partilho o que de mais recente se tem descoberto na área da neurociência sobre a criação de hábitos e um conjunto de estratégias para mudar ou criar um hábito mais facilmente.

Hoje deixo-lhe uma dica muito simples para pôr um novo comportamento em prática: decida agora quando e o que vai fazer. A tomada de decisão gasta força de vontade. Por exemplo, se deixar para o fim do dia decidir se vai ou não praticar exercício, existe a probabilidade que nessa altura não tenha força de vontade para realizar esse comportamento. Tomar a decisão antecipadamente, por exemplo, decidindo que vai correr todas as terças e quintas às 18:30 ajuda a que quando chegar as 18:30 de terça e quinta seja mais fácil ir correr.

Pode até escrever a sua vontade na seguinte forma:

Quando <qualquer coisa acontecer ou o dia e hora>,

eu vou  <o que vai fazer>

porque isso me traz <o que ganha com isso>.

Por exemplo:

Quando almoçar fora e me oferecerem um doce, eu vou recusar porque isso contribuí para a minha saúde.

Todos os dias de manhã, após o pequeno-almoço, vou dar um passeio a pé de pelo menos uma hora porque isso me faz sentir bem.

Quando começar a ficar impaciente numa conversa, vou respirar fundo e usar todos os meus recursos para ouvir com atenção o que o outro tem para dizer.

Decidir antecipadamente como vai agir nas situações em que no momento lhe custa ser quem quer ser vai ajudá-lo a que as suas intenções se concretizem gastando menos energia.