Ajudar pessoas a aumentar a sua energia e resiliência é uma das áreas que acho mais gratificantes já que este é um dos grandes desafios hoje em dia e pode fazer toda a diferença nos resultados das empresas e nível de bem-estar e felicidade individual. Todos ganham!

Vou falando com pessoas que têm uma vida muito cheia e passam o dia em estado de ansiedade e stress. Alguns já nem dão por isso e assumem-no como estado normal. Não é. Não devia ser.

Às vezes alguns clientes perguntam-me como é que EU lido com os dias de “loucos”. Partilho várias estratégias nas minhas formações ou quando trabalho individualmente com clientes mas pensando bem, quais são as que realmente fazem diferença na minha vida?

Hoje vou falar de mim e vou partilhar a minha lista de não-negociáveis.

Preparar-me e antecipar

Tendo a não deixar tarefas para a última da hora sempre que possível para poder acomodar imprevistos…porque se há algo que é previsível são os imprevistos.

Por exemplo, evito preparar os materiais de uma formação na véspera ou no dia. Para isso, para mim é essencial planear a minha semana avaliando o tempo que as tarefas consomem e reservando tempo para isso na agenda. Esta visão das minhas semanas permite-me antecipar os dias mais cheios e antecipar o que puder.

Mas também tenho dias de “loucos”. E nesses dias é tão fácil descurar a coisa mais importante para conseguir dar resposta que é cuidar da minha energia.

Coisas que me ajudam a cuidar da minha energia

Um dos meus não negociáveis é dormir.

Já sei que não funciono bem se não dormir e estudos demonstram que ficamos com menos capacidades cognitivas (aka “mais estúpidos”) quando não dormimos. Não dormir e trabalhar mais uma ou duas horas não me vai ajudar. Durmo mesmo que isso implique fazer menos…mas sei que assim vou fazer melhor.

Outra coisa importante para a minha energia e serenidade é reservar alguns minutos para meditar.

Mesmo que não possa ser muito tempo, só uns minutos. Há tempos li qualquer coisa como que se deve meditar 20 minutos por dia e quando não se tem tempo deve ser uma hora 🙂 Pois! Confesso que nesses dias reduzo o tempo.

Comer comida saudável e que me faz sentir bem.

Quando os dias são de “loucos” tendemos a comer pior, às vezes nem paramos para comer. Nesses dias faço um esforço para fazer uma alimentação equilibrada. Por vezes a decisão de fazer uma alimentação equilibrada está relacionada com a estratégia anterior de “preparar-me e antecipar”, ou seja, preparar refeições por exemplo no fim-de-semana, ir às compras e garantir que tenho coisas que permitam fazer refeições simples e saudáveis ou ter por exemplo fruta para snacks. Faço os possíveis para facilitar toda a logística nestas alturas e ser mais fácil resistir a tentações que não me servem.

Beber água.

Quando estamos desidratados, aumentam os níveis de cortisol no nosso corpo que está relacionado com os nossos níveis de stress. Nestes dias beber água é essencial.

Fazer exercício.

É fácil faltar ao ginásio porque não se tem tempo. Nesses dias faço por ir mesmo que seja por menos tempo ou no limite fazer algum tipo de exercício em casa.

Escrever, escrever, escrever.

Se está tudo a acontecer ao mesmo tempo, não posso sobrecarregar a minha mente com muita informação. Por isso, uso a escrita para escrever as coisas que me lembro para fazer, para decompor uma tarefa em várias subtarefas, para apontar o que estou a fazer se sou interrompida, para tirar notas durante um telefonema. Despejo o cérebro já tão cheio…

Desligar-me

Se preciso terminar uma tarefa que requer concentração rapidamente às vezes tiro o som do telemóvel para me poder focar. Instalei uma app no telemóvel (procure neste artigo o autoresponder) que envia uma sms a quem me liga a informar que ligarei mais tarde…e ligo 🙂

Não desligo as notificações das redes sociais porque essas já estão desligadas.

Avalio constantemente as prioridades e a minha capacidade de resposta para esse dia.

Aceito que por vezes não consigo fazer tudo o que pretendia. Se isso tem implicação noutros em quem tinha gerado expectativas, informo-os rapidamente.

Paro      

Paro por uns segundos, respiro, olho o rio (tenho o privilégio de trabalhar com uma vista para o Tejo muito bonita), observo a minha postura (tendo a criar tensão nos ombros e pescoço) e faço alguns movimentos para alongar e descontrair.

Vou deixar-lhe uma proposta…

Faça uma lista das coisas que faz e/ou gostaria de fazer para lidar melhor com os seus dias de “loucos”. Isso pode ajudá-lo a que essas intenções se concretizem. Espero ter conseguido inspirá-lo a transformar um pouquinho os seus dias de “loucos”.