O demónio que se alimentava de raiva

Há muitos e muitos anos, num reino muito distante, um demónio entrou num palácio enquanto o rei estava fora. O demónio era muito feio, cheirava mal e dizia coisas horríveis. Como os guardas estavam aterrorizados, o demónio conseguiu chegar à sala do trono e sentar-se no trono! Vendo o demónio ali, os guardas decidiram fazer algo e começaram a gritar com ele “Sai daí! Tu não pertences aí, se não saíres já… vamos atacar-te com as nossas espadas!”.

À medida que estas ameaças eram feitas, o demónio crescia, a sua cara ficava mais feia, começava a cheirar pior e a sua linguagem passava a ser ainda mais obscena.

As espadas foram agitadas no ar, os punhais mostrados e mais ameaças foram feitas. A cada palavra zangada, a cada gesto irritado, a cada pensamento com raiva, o demónio crescia mais e mais, tornava-se cada vez mais medonho.

O confronto manteve-se até o rei chegar. Quando o rei voltou, viu o demónio gigantesco no seu trono. Nunca tinha visto nada tão repulsivo.

Mas o rei era sábio. Ele sabia o que fazer.

Então, o rei disse ao demónio calorosamente “Bem-vindo ao meu palácio! Já alguém lhe deu algo para comer ou beber?”. A este pequeno gesto […]

A cigarra e a formiga

Era uma vez uma formiga, talvez aquilo a que se chame uma formiga de sucesso. Era reconhecida no seu trabalho, líder de uma grande equipa de formigas que estavam a construir uma das maiores e mais complexas obras subterrâneas conhecidas até hoje. O trabalho consumia-lhe a maior parte do seu tempo.

Um dia encontrou uma cigarra que já não via há algum tempo. Depois de um efusivo cumprimento, a cigarra elogiou-lhe os sapatos vermelhos e deslumbrantes que estava a usar. Na realidade, um dos maiores prazeres da formiga era comprar sapatos e tinha uma coleção vastíssima não tivesse ela 8 pés!

A cigarra perguntou-lhe onde os tinha comprado e quanto tinham custado e após isso fez-lhe um pedido que deixou a formiga muito desconfortável: “Dás-me 600€ para comprar uns iguais?”. Nunca ninguém lhe tinha tão descaradamente pedido dinheiro e com a maior delicadeza que conseguiu disse que não.

A cigarra, parecendo não ter ficado muito magoada com a recusa, fez-lhe outro pedido “Mudei-me para esta zona há pouco tempo. Tens uma hora para me mostrar as redondezas?” A formiga acedeu e foi passear com a cigarra.

Nesse dia chegou ainda mais tarde a casa e contou o que se tinha passado. Para sua […]

O coelho que gostava de espinafres

Era uma vez um coelho que adorava espinafres. Todos lhe davam cenouras porque toda a gente sabe que os coelhos adoram cenouras. Mas este era diferente: gostava mesmo era de espinafres e só os tinha comido uma vez na vida. Olhava para as cenouras com um ar desapontado e enfado, eram cor-de-laranja, duras…e o que ele queria mesmo era espinafres que ninguém lhe dava!

Um dia conheceu uma tartaruga. A tartaruga já tinha muitos e muitos anos. Tinha viajado, devagarinho, muito devagarinho mas já conhecia muito do mundo, das pessoas e dos animais.

O coelho contou-lhe da sua tristeza. A tartaruga refletiu por uns instantes e perguntou-lhe “Já disseste a quem te dá cenouras que não gostas? Já lhes disseste que gostas mais de espinafres? Não deve ser assim tão difícil trocarem…”.

O coelho fitou-a com um ar surpreso e impaciente “Não, não vale a pena, não me ouvem”.

“Já lhes perguntaste?”, disse a tartaruga. O coelho acenou que não.

A tartaruga divertida perguntou-lhe “Então, como sabes que não te ouvem se nunca experimentaste perguntar?”

O coelho cada vez mais impaciente respondeu “Não ouvem, não querem saber e isso é muito complicado… íam lá agora arranjar espinafres em vez de cenouras, sempre me deram cenouras”.

A […]