A característica que melhor prevê o sucesso de quem tem funções de liderança

Nos últimos anos vários estudos têm chegado à conclusão que a autoconsciência é a característica que melhor prevê o sucesso de quem tem funções de liderança. A autoconsciência é uma das dimensões da inteligência emocional e consiste em estarmos conscientes do nosso estado interno e do impacto nos outros.

Quem tem esta dimensão desenvolvida consegue entregar melhores resultados através da criação de relações mais fortes e autênticas com todos os níveis organizacionais, de lidar com conflitos e ter conversas abertas com foco na melhoria (em vez do fracasso e da culpa) e ser capaz de balancear as características normalmente associadas com funções de gestão e liderança como autoridade e controlo.

Estas características geram equipas mais empenhadas e maior retenção. E é isso que se quer, certo?

Se gere equipas e, apesar de não ter tempo para fazer este caminho quer muito fazê-lo, espreite o programa Liderança Efetiva para Gestores Ocupados onde, sem sair do seu local de trabalho, vamos trabalhar este tema a partir de 3 de maio, durante 7 sextas-feiras na hora do almoço. Apesar de estar atrás de um computador com câmara e microfone será como se estivéssemos na mesma sala 🙂

Quando isto for “assim”…

Em situações de conflito com outros ou connosco mesmos ou de insatisfação com “a vida”, muitas vezes estamos agarrados à solução, à estratégia que nos trará satisfação. Quando isso acontecer,  quando os outros “forem/fizerem”, quando isto for “assim” vamos estar satisfeitos.

A solução pode ter a forma de coisas como relação com uma pessoa, bens materiais, experiências, condições de vida. Por exemplo, alguém pode pensar que para se sentir satisfeito precisa de estar mais tempo com alguém importante na sua vida, ou que um colega ajude mais, ou que haja silêncio, ou que ganhe mais, ou que o chefe o reconheça, ou que não haja trânsito, ou de comer algo, ou que…

O pior é quando essas soluções não dependem de nós mas do comportamento dos outros ou do “mundo”. Se nos mantivermos agarrados às soluções corremos o risco de ficar insatisfeitos.

Vale muito a pena investigarmos dentro de nós qual é a necessidade que motiva a solução que criámos. Mas investigar mesmo! Procurar perceber sem nos satisfazermos com a primeira resposta e óbvia. Estas necessidades no limite são sempre estados emocionais a que queremos aceder.

Há sempre uma necessidade e a solução/estratégia é a maneira que estamos a ver de satisfazer essa […]

Ebook com artigos de 2018

Já passou a ser uma tradição anual compilar num pequeno ebook alguns dos artigos que escrevo no blog Objetivo Lua.

O critério da escolha este ano foi aqueles que me deram mais prazer escrever. 🙂

Pode descarregar aqui o ebook de 2018.

Uma estratégia simples para influenciar os outros a tratarem dos seus macacos

A metáfora do macaco=problema/coisa para fazer é já antiga. Todos nós temos os nossos macacos para cuidar. Estes requerem atenção, tempo e serem alimentados.

Às vezes outras pessoas tentam passar-nos os seus macacos. Muitas vezes aceitamos esses macacos o que pode trazer algum caos porque passamos a ter mais macacos para tratar e, além disso, gerir as relações entre os nossos macacos e os dos outros pode também ser desafiante. Todos querem atenção e têm necessidades concorrentes.

Quem lidera equipas queixa-se que muitas vezes as suas equipas lhe tentam passar macacos, em particular problemas para resolver ou decisões para tomar.

Uma estratégia que tenho visto ser usada com sucesso é habituar os outros a trazerem soluções para os problemas. Três soluções.

Não é uma solução. São três, para haver escolha!

Na prática, a pessoa apresenta-se com o seu macaco e ao mesmo tempo 3 soluções para tratar do macaco. E o líder está disponível para ajudar a escolher entre as três soluções, para aconselhar, para recomendar. Promove o pensamento crítico, análise e responsabilização.

O benefício óbvio é que, por vezes, ao pensar nas três soluções, a pessoa percebe que pode tratar do macaco sozinho.

Crie essa regra: a chave para estar disponível é apresentarem-lhe um problema […]

Como alinhar todos em práticas e processos através de uma comunicação interna mais efetiva e criativa

No ambiente empresarial alinhar todos em práticas de trabalho e processos comuns nem sempre é fácil.

Imagine que é o promotor/criador de uma nova prática de trabalho ou processo ou que quer corrigir comportamentos e abordagens incorretas. Já lhe aconteceu a mensagem, que é tão simples para si, não passar ou encontrar resistências?

Deixo-lhe algumas dicas para se minimizar este efeito.

Envolva na criação do processo as pessoas cujo trabalho será impactado

Isso poderá ajudar a identificar potenciais riscos ou dificuldades e encontrar soluções que facilitem a vida a quem terá de realizar esse trabalho.

Por outro lado, esse envolvimento faz com que as pessoas se sintam ouvidas e importantes e, como consequência, com uma maior abertura para realizar como também para serem embaixadores junto dos colegas lidando no terreno com resistências.

Custa tempo? Talvez não tanto como o que vai gastar a lidar com as resistências ou com o trabalho que não está feito como devia.

Crie momentos de comunicação presenciais curtos em que não é quem fala mais

É claro que pode e deve enviar a informação por email/documentos para referência mas pode ter a certeza de que, se (e este é um grande SE) for lido, haverá sempre diferentes interpretações do como fazer além […]

Novo estudo descobre (!) que fazer pausas aumenta o desempenho do trabalho em equipa

As pausas têm impacto no desempenho individual e no desempenho da equipa?

Este estudo da USC Viterbi’s Information Sciences Institute (ISI) é especialmente relevante pela quantidade de pessoas envolvidas (16665) num ambiente em que o desempenho é facilmente mensurável e de um certo modo “real”. Esta equipa usou sistemas de inteligência artificial para identificar padrões no desempenho dos jogadores de jogos de equipa online.

Observaram que os jogadores que fizeram pausas regulares tendiam a ter melhores resultados do que aqueles que não faziam pausas e isso era estendido ao desempenho global das suas equipas.

O desempenho individual reduzia-se entre 8 a 10% entre o início e o fim da sessão.  No fim de uma sessão sem pausas o desempenho era pior do que a de jogadores com menos experiência mas a começarem uma sessão.

Este padrão de deterioração de desempenho pode apontar para um fenómeno chamado cognitive depletion (esgotamento cognitivo) que ocorre quando trabalhamos em tarefas que requerem atenção por longos períodos de tempo. Atenção prolongada numa única tarefa reduz o desempenho. Como os músculos durante o exercício físico, a mente também precisa de descansar.

Os jogadores mais experientes foram menos susceptíveis a esta redução do que jogadores menos experientes, como se a experiência […]

Uma experiência impressionante sobre o impacto dos gestores nos resultados

Estratégias de liderança para chegar (literalmente) à Lua

Este é o primeiro de vários artigos escritos por convidados no blog Objetivo Lua. Neste artigo, Paulo Gil, professor e investigador na área espacial no Instituto Superior Técnico, escreve sobre estratégias de liderança num grande, se não o mais complexo, projeto da humanidade até agora: atingir a Lua.

A menos que o Elon Musk acompanhe este blog 🙂 , duvido que algum de nós tenha de lidar com este nível de complexidade. Por isso, é inspirador refletir como podemos por em prática estas ideias hoje.

Aproveito o tema para o convidar a juntar-se a um pequeno grupo de profissionais que vai dedicar dois dias e meio a refletir e descobrir mais estratégias para se renovarem com líderes.


Um desafio quase impossível

Quando a 4 de Outubro de 1957 o Sputnik, o primeiro satélite artificial, foi lançado os americanos, apanhados de surpresa, ficaram em choque. Era a demonstração da capacidade tecnológica do inimigo figadal – estava-se em plena Guerra Fria com a URSS e seus aliados – que até aí era encarado como um risco moderado para o ocidente e o seu modo de vida. Não que o esforço de atingir o Espaço não existisse já nos EUA, e que o governo […]

Como os outros DEVEM ser: as expetativas

Todos temos expetativas de como os outros deviam ser, como se deviam comportar.

E isto é transversal em todas as áreas da nossa vida, desde a nossa vida pessoal com família e amigos (se ela me desse valor devia ter-me ajudado, um amigo a sério devia ter telefonado para saber se estava tudo bem), no trabalho (o meu chefe devia perceber que estou cheio de trabalho) e até com a humanidade em geral (Eles deviam ser mais …).

Quando as nossas expetativas não são cumpridas acontece que ficamos desapontados, frustrados, transtornados, irritados, tristes, ou outra resposta emocional negativa. E muitas vezes remoemos sobre isso.

Na realidade esta resposta emocional não é causada pelo comportamento do outro mas pelo facto de este não responder às expetativas que criamos.

Parece a mesma coisa mas não é pois traz o controlo para o nosso lado: muitas vezes não conseguimos influenciar o comportamento dos outros mas temos um pouco mais de controlo sobre a nossa reação ao comportamento do outro (chama-se inteligência emocional).

Por exemplo, há pessoas que vivem bem com outras pessoas se atrasarem e outras ficam muito incomodadas.

O comportamento é o mesmo (alguém atrasar-se) mas a resposta emocional é diferente porque há expetativas diferentes.

Muitas vezes as expetativas nascem das regras […]

Despachar a tarefa ou resolver o problema?

O João trabalhava naquela empresa há muitos anos. Cumpria com aquilo que lhe pediam mas há uns tempos que andava a sentir-se injustiçado porque, apesar de ser dedicado, o colega Fernando, que estava há bem menos tempo na empresa, estava a ganhar mais do que ele.

Um dia achou que era o momento de mostrar essa insatisfação ao chefe e partilhou com ele essa observação. O chefe não deu muita importância e disse-lhe que podiam falar nisso mais tarde mas que agora precisava mesmo da ajuda dele com uma situação que queria resolver rapidamente.

Disse-lhe que nesse dia tinha uma vista de um grupo de 25 pessoas de uma empresa parceira e queria nesse evento servir fruta. Tinha pensado em maçãs e alguns bolos. Só pensou nisso nesse dia e não encomendou. Pediu ao João para ir à mercearia ao pé da empresa ver se tinham maças e bolos.

O João lá foi e voltou ao fim de 10 minutos e informou o chefe que tinham maçãs e bolos.

“E quanto custam?” perguntou o chefe.

“Isso não perguntei.” respondeu o João.

“E têm quantidade para hoje?” perguntou o chefe.

“Não sei.” respondeu o João.

O chefe ligou então para o Fernando e pediu-lhe a mesma coisa. O […]