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Fiquei encantada com o trabalho da psicóloga Carol S. Dweck que tem vindo a estudar o que é que leva pessoas inteligentes a terem comportamentos “estúpidos”. As conclusões a que ela chegou são sem dúvida muito importantes para nos guiarem a nível pessoal, na gestão de equipas e até no modo como educamos os nossos filhos.

As duas crenças

A Carol Dweck explica que existem dois tipos de crenças relativas à inteligência e que, dependendo da crença, as pessoas têm comportamentos diferentes:

  • Crença da inteligência fixa (fixed mind-set), ou seja, a inteligência é uma característica fixa da pessoa;
  • Crença da inteligência crescente (growth mind-set), ou seja, a inteligência é um potencial que pode ser desenvolvido através da aprendizagem e esforço.

Em geral 85% das pessoas escolhe e vive segundo uma destas crenças (mesmo sem ter pensado muito nisso) e o resto está indeciso ou tem uma crença hibrida. Por outro lado, alguns têm uma crença em relação a uma área específica da sua vida (como resultados académicos) ou mesmo relativamente a um tema (por exemplo a crença de que não têm jeito para a matemática e que isso é uma característica inata).

O curioso é que as pessoas, dependendo da crença, agem de maneira diferente o que tem impacto profundo nos seus resultados como mostrarei de seguida.

Como medem a inteligência?

As pessoas com a crença da inteligência fixa acreditam que o seu valor está relacionado com o seu desempenho. Muitas acreditam que é a sua inteligência que as faz especial.

Sentem-se inteligentes quando a experiência é fácil, ou não se têm que esforçar muito ou quando são melhores do que os outros. Começam a duvidar do seu valor quando precisam de se esforçar para atingir o resultado (se tivessem “talento” ou fossem realmente inteligentes não seria preciso esforço).

Por isso fazem tudo para parecerem inteligentes (para os outros ou/e para si mesmos) o que muitas vezes implica não fazerem alguma coisa que os possa fazer parecer menos inteligentes como por exemplo fazer questões para esclarecer algo que não perceberam ou investir esforço numa tarefa mais difícil. Os resultados a longo prazo são por vezes comprometidos para ter o ganho, a curto prazo, de não parecer menos inteligente do que os seus standards.

As pessoas com a crença da inteligência crescente acreditam que o seu valor é medido pela sua capacidade de aprender, crescer e ultrapassar obstáculos.

Sentem-se entusiasmadas com novas tarefas e a possibilidade de dominarem novos conhecimentos. Puxam por si mesmas para desenvolverem as suas capacidades e lutam por resolver problemas.

As pessoas com a crença da inteligência crescente focam-se em encontrar estratégias, investem tempo e energia em aprender e nos resultados a longo prazo.

Um dos estudos que foi feito para ilustrar o impacto da crença envolveu alunos da Universidade de Hong Kong. O domínio do inglês aqui era essencial para um bom desempenho académico mas muitos dos alunos não o dominavam. A escola preparou cursos de inglês facultativos para ajudar os alunos a melhorarem o seu domínio da língua. Consegue adivinhar quem é que se inscreveu? Aqueles que anteriormente se tinham identificado com a crença da inteligência crescente. Os que se tinham identificado com a crença da inteligência fixa não se sujeitaram a assumir a sua dificuldade mesmo que isso pudesse pôr em risco o seu desempenho futuro.

Como lidam com desafios e fracasso?

As pessoas com a crença da inteligência fixa persistem com menos frequência já que esforço significa que não são inteligentes. Tipicamente culpam outros ou as circunstâncias. Um dos comportamentos observados foi estas pessoas realizarem uma tarefa difícil em cima da hora para terem a justificação da falta de tempo para o resultado não ser o que gostariam.

As pessoas com a crença da inteligência crescente persistem perante um desafio, ficam curiosos e entusiasmados com a oportunidade de aprender e desenvolverem-se.

Quais são os resultados?

As pessoas com a crença da inteligência fixa acabam por ser menos inteligentes do que o seu potencial já que sacrificam oportunidades que poderão mostrar a sua falta de capacidade.

As pessoas com a crença da inteligência crescente toleram melhor a incerteza e investem tempo e esfoço o que as faz ser mais criativas, obter melhores resultados e sentirem-se mais satisfeitas.

Vários estudos foram feitos por exemplo com alunos e um dos estudos em Standford sugere que os alunos com crença da inteligência crescente têm melhores resultados académicos.

E o que fazer com isto na nossa vida, como líder ou pai?

Um dos resultados mais entusiasmantes deste trabalho é que é possível mudar a crença e que muitos dos que têm a crença da inteligência fixa, ao terem contacto com estas explicações, passam a agir com mais frequência como quem tem a crença da inteligência crescente. Por isso, só ter consciência destas crenças já o vai ajudar a ter melhores resultados e a inspirar quem trabalha consigo.

Por outro lado este modelo tem muito impacto na educação das crianças. É possível educarmos as nossas crianças com uma destas crenças e muitas vezes fazemo-lo inconscientemente. Foi observado que crianças a quem era elogiada a sua inteligência desenvolveram uma crença de inteligência fixa, enquanto que aquelas a quem foi elogiado o esfoço desenvolveram uma crença de inteligência crescente.

Um dos casos que foi analisado foi a situação de desafiarem várias crianças a realizarem puzzles. Os primeiros puzzles eram fáceis e todos conseguiam fazê-los facilmente. A uns foi elogiada a sua inteligência. Aos outros foi elogiado o seu esforço. À medida que o nível de dificuldade dos puzzles foi aumentando, as crianças a quem foi elogiada a sua inteligência arranjavam desculpas para parar. Os outros ficavam cada vez mais entusiasmados e até pediam para levar os puzzles para casa para continuarem a tentar.

Não existe fracasso, apenas feedback

A nossa vida muda quando nos treinamos (sim, treinamos!) a olhar para as coisas que não correm bem (e que até normalmente identificamos como fracasso) como um potencial de aprendizagem! Aprenda a valorizar o esforço e quando as coisas não correm bem aprenda a perguntar a toda a hora “o que aprendi?” e “o que vou fazer/ou podia ter feito diferente?”.

Partilho uma Ted Talk da Carol S. Dweck onde ela explica um pouco estes conceitos e fala de outros estudos.

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AO COMANDO DA OBJETIVO LUA

Ana Relvas, Ph.D & Consultora de Desempenho

Ana Relvas é a propulsora da Objetivo Lua, projeto que cresceu da sua vontade em ajudar outros a concretizarem o seu potencial e foi construído sobre uma carreira de mais de 10 anos como Gestora e Engenheira Aeroespacial.

É esta experiência que, aliada à formação como Coach e Master Practitioner em Programação Neurolinguística, permite entender os desafios profissionais atuais e desenhar programa para cada pessoa, equipa ou empresa.

 

 

 

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