Uma das atividades que realizei para criar o programa de treino para diretores de obra que lancei há pouco tempo foi publicar um questionário para caracterizar as necessidades e dificuldades que este grupo de profissionais enfrenta em Portugal.

As partilhas de todos foram mais ou menos alinhadas com a informação que já tinha recolhido de entrevistas presenciais com alguns diretores de obra, diretores de produção e fiscais.

Hoje partilho dois gráficos que resumem algumas das respostas e que refletem aquilo que quem está na área conhece.

Um dos maiores desafios está relacionado com a cultura deste mercado:

  • Propostas esmagadas e falta de tempo de preparação no início da obra;
  • Atrasos nos subempreiteiros e fornecedores muitas vezes causados por falta de qualificação e má gestão;
  • Clientes inexperientes e/ou inflexíveis.

Uma das pessoas com quem falei partilhou comigo que muitas vezes o plano da obra não é um plano mas sim um desejo, não só por o diretor de obra acreditar não ter condições para o cumprir como também por sistematicamente acontecerem inúmeros imprevistos que não são geridos como riscos.

Aqui as fontes destes imprevistos são, como já especulávamos, os subempreiteiros e fornecedores seguidos pelos clientes.

Quem respondeu ao questionário partilhou sentir a necessidade de conseguir fazer uma melhor gestão de tempo e organização.

Mas no coração de tudo isto está a necessidade de (além de poder escolher fornecedores e subempreiteiros mais qualificados e organizados) ser capaz de realizar uma comunicação mais efetiva, não só com a equipa mas principalmente com subempreiteiros, fornecedores e clientes. Comunicar de modo a educar, garantir compromisso e criar uma relação de parceria é um passo que a médio prazo pode contribuir para transformar estes problemas, se não a nível global, pelo menos a nível da empresa.

Curiosamente parece não ser um cenário impossível tendo em conta que algumas respostas refletem a pouca frequência dos problemas identificados. Fica então a esperança, que alguns já não têm, de que é possível 🙂

Se é diretor de obra e tem interesse sobre estes temas, convido-o a subscrever aqui a newsletter para diretores de obra que envio de dois em dois meses.