Estratégias de liderança para chegar (literalmente) à Lua

Este é o primeiro de vários artigos escritos por convidados no blog Objetivo Lua. Neste artigo, Paulo Gil, professor e investigador na área espacial no Instituto Superior Técnico, escreve sobre estratégias de liderança num grande, se não o mais complexo, projeto da humanidade até agora: atingir a Lua.

A menos que o Elon Musk acompanhe este blog 🙂 , duvido que algum de nós tenha de lidar com este nível de complexidade. Por isso, é inspirador refletir como podemos por em prática estas ideias hoje.

Aproveito o tema para o convidar a juntar-se a um pequeno grupo de profissionais que vai dedicar dois dias e meio a refletir e descobrir mais estratégias para se renovarem com líderes.


Um desafio quase impossível

Quando a 4 de Outubro de 1957 o Sputnik, o primeiro satélite artificial, foi lançado os americanos, apanhados de surpresa, ficaram em choque. Era a demonstração da capacidade tecnológica do inimigo figadal – estava-se em plena Guerra Fria com a URSS e seus aliados – que até aí era encarado como um risco moderado para o ocidente e o seu modo de vida. Não que o esforço de atingir o Espaço não existisse já nos EUA, e que o governo […]

Como os outros DEVEM ser: as expetativas

Todos temos expetativas de como os outros deviam ser, como se deviam comportar.

E isto é transversal em todas as áreas da nossa vida, desde a nossa vida pessoal com família e amigos (se ela me desse valor devia ter-me ajudado, um amigo a sério devia ter telefonado para saber se estava tudo bem), no trabalho (o meu chefe devia perceber que estou cheio de trabalho) e até com a humanidade em geral (Eles deviam ser mais …).

Quando as nossas expetativas não são cumpridas acontece que ficamos desapontados, frustrados, transtornados, irritados, tristes, ou outra resposta emocional negativa. E muitas vezes remoemos sobre isso.

Na realidade esta resposta emocional não é causada pelo comportamento do outro mas pelo facto de este não responder às expetativas que criamos.

Parece a mesma coisa mas não é pois traz o controlo para o nosso lado: muitas vezes não conseguimos influenciar o comportamento dos outros mas temos um pouco mais de controlo sobre a nossa reação ao comportamento do outro (chama-se inteligência emocional).

Por exemplo, há pessoas que vivem bem com outras pessoas se atrasarem e outras ficam muito incomodadas.

O comportamento é o mesmo (alguém atrasar-se) mas a resposta emocional é diferente porque há expetativas diferentes.

Muitas vezes as expetativas nascem das regras […]

Despachar a tarefa ou resolver o problema?

O João trabalhava naquela empresa há muitos anos. Cumpria com aquilo que lhe pediam mas há uns tempos que andava a sentir-se injustiçado porque, apesar de ser dedicado, o colega Fernando, que estava há bem menos tempo na empresa, estava a ganhar mais do que ele.

Um dia achou que era o momento de mostrar essa insatisfação ao chefe e partilhou com ele essa observação. O chefe não deu muita importância e disse-lhe que podiam falar nisso mais tarde mas que agora precisava mesmo da ajuda dele com uma situação que queria resolver rapidamente.

Disse-lhe que nesse dia tinha uma vista de um grupo de 25 pessoas de uma empresa parceira e queria nesse evento servir fruta. Tinha pensado em maçãs e alguns bolos. Só pensou nisso nesse dia e não encomendou. Pediu ao João para ir à mercearia ao pé da empresa ver se tinham maças e bolos.

O João lá foi e voltou ao fim de 10 minutos e informou o chefe que tinham maçãs e bolos.

“E quanto custam?” perguntou o chefe.

“Isso não perguntei.” respondeu o João.

“E têm quantidade para hoje?” perguntou o chefe.

“Não sei.” respondeu o João.

O chefe ligou então para o Fernando e pediu-lhe a mesma coisa. O […]

Resultados do questionário sobre diretores de obra

Uma das atividades que realizei para criar o programa de treino para diretores de obra que lancei há pouco tempo foi publicar um questionário para caracterizar as necessidades e dificuldades que este grupo de profissionais enfrenta em Portugal.

As partilhas de todos foram mais ou menos alinhadas com a informação que já tinha recolhido de entrevistas presenciais com alguns diretores de obra, diretores de produção e fiscais.

Hoje partilho dois gráficos que resumem algumas das respostas e que refletem aquilo que quem está na área conhece.

Um dos maiores desafios está relacionado com a cultura deste mercado:

  • Propostas esmagadas e falta de tempo de preparação no início da obra;
  • Atrasos nos subempreiteiros e fornecedores muitas vezes causados por falta de qualificação e má gestão;
  • Clientes inexperientes e/ou inflexíveis.

Uma das pessoas com quem falei partilhou comigo que muitas vezes o plano da obra não é um plano mas sim um desejo, não só por o diretor de obra acreditar não ter condições para o cumprir como também por sistematicamente acontecerem inúmeros imprevistos que não são geridos como riscos.

Aqui as fontes destes imprevistos são, como já especulávamos, os subempreiteiros e fornecedores seguidos pelos […]

Controla ou desenvolve pessoas?

Acho curiosa a expressão inglesa “control freak” que podemos traduzir por controlador. Quem lidera equipas pode ter a tentação de assumir este papel para garantir os resultados que pretende.

Isto pode-se materializar por exemplo em dizer como quer que as coisas sejam feitas, andar sempre em cima a verificar ou a envolver-se em detalhes com mais ou menos importância.

Esta microgestão pode funcionar se liderar uma pequena equipa ou tiver muito tempo disponível.

Quando a equipa começa a ser maior ou o tempo não é assim tão lato, começa a ser difícil usar esta estratégia…embora muitos continuem a fazê-lo!

Qual é a solução defendida por todos os especialistas? É investir o tempo e energia em desenvolver as pessoas, em ajudá-las a tornarem-se autónomas.

Dá trabalho? Pode dar.

Gasta tempo? Sim mas a médio prazo bem menos do que continuar a controlar.

Esse tempo é um investimento que lhe vai trazer um retorno exponencial.

Como fazê-lo? Espreite aqui o programa de liderança avançado em que trabalhamos isso mesmo.

Nem sempre as suas reuniões são efetivas?

O que é uma reunião efetiva?

Há dois tipos de reuniões: reuniões efetivas e reuniões para aquecer. 🙂

As perguntas abaixo dão-lhe algumas pistas para avaliar de que tipo são as suas reuniões.

  • Chega ao fim com a sensação de não ter produzido nada?
  • Os participantes estão a ver o email ou o telemóvel?
  • Na reunião seguinte alguns assuntos estão na mesma?
  • Alguém no fim diz “Vamos lá trabalhar!”?
  • A sala ficou mais quente?

As reuniões podem ter vários propósitos (encontrar soluções, tomar decisões, planear, coordenar o trabalho, informar).

Uma reunião é efetiva quando o seu propósito é cumprido e se criam as condições para que o acordado por todos seja realizado.

Quando isto não acontece a sala ficou mais quente (cada pessoa dissipa 70W) e desperdiçou-se tempo e dinheiro.

Quanto custa uma reunião?

Não temos o hábito de pensar quando custa uma reunião. Às vezes esforçamo-nos por poupar tostões e desperdiçamos muito mais em reuniões pouco efetivas.

De um modo muito simplificado podemos calcular o custo de uma reunião da seguinte maneira:

Custo de uma reunião (em horas) = número de participantes x duração da reunião

Exemplo

5 pessoas x 1 hora e 30 minutos = 7 horas e 30 […]

Fazer a tarefa ou resolver o problema?

São coisas diferentes.

Há dias fui visitar o meu pai ao hospital de Santa Marta em Lisboa e ele não estava na cama. Devia já ter voltado de um tratamento noutro hospital por volta das 14 horas e às 17 ainda não tinha aparecido. Perguntei a uma enfermeira pelo meu pai e respondeu-me que ainda não tinha voltado. Isso eu já sabia. Precisei de lhe pedir explicitamente para ver a que horas tinha saído, onde estava e a que horas era previsível voltar para ter uma resposta que me ajudasse.

Chegou depois das 19 horas (acontece com alguma frequência o serviço de transportes de doentes apresentar estes atrasos talvez porque seja mais importante escolher os fornecedores mais baratos sem garantir se têm capacidade de resposta mas isso era assunto para outro artigo e estou basicamente a especular).

Mas neste caso o foco da enfermeira foi visivelmente responder à minha pergunta (que foi mal formulada, aceito!) e não resolver o problema de saber onde estava um doente que aparentemente esteve fora desde as 8 da manhã sem almoço, dependente de outros para tudo.

Eu percebi que ela estava cansada, saturada. Talvez já passasse a hora de ir embora. No entanto, isso não é uma […]

A regra dos 15 segundos de elogio

Não consegui encontrar o estudo original para confirmar esta informação mas parece-me que vale a pena partilhá-la.

Quando elogiamos alguém é necessário fazê-lo durante 15 segundos consecutivos para que isso seja ouvido. Por outro lado, a crítica é assimilada de imediato.

A maior parte das pessoas não está habituada a ouvir elogios e por isso rejeita-os até com alguma desconfiança: “o que é que este quer?”.

Por isso, nos próximos tempos quando quiser elogiar alguém da sua família, um amigo, um colega ou até um desconhecido, cronometre 15 segundos para ser levado a sério. 🙂

Tudo é urgente e os imprevistos previsíveis numa obra

Depois do artigo “Porque é a função de diretor de obra difícil“,  vou hoje continuar a escrever sobre alguns dos desafios que os diretores de obra enfrentam embora a situação seja transversal a outras profissões e estas reflexões possam ser úteis a outras pessoas.

Tudo é importante e urgente…

Hoje em dia vive-se no modo do “tudo é importante e urgente” (e a ideia errada de que se é urgente é necessariamente importante mas isso é assunto para outro artigo). A ideia de que “tudo é importante e urgente” deixa muita gente sem energia e foco para investir tempo em coisas que, não sendo urgentes, são importantes.

É curioso reconhecermos que quando operamos no modo “importante e urgente” estamos no modo REAGIR: reagimos a problemas e imprevistos, respondemos rapidamente para cumprir prazos e reagimos a emails e telefonemas que precisam de resposta rápida.

Em geral são atividades que precisamos de fazer rapidamente e bem. Por outro lado, se não lhes conseguimos dar resposta, devemos:

  • clarificar prazos (sim, nem sempre o urgente ou para ontem é real, muitas vezes é um desejo de outros até para eles próprios tirarem isso das suas preocupações)
  • renegociar prazos e gerir expetativas. Muitas vezes é melhor assumir conscientemente […]

Porque é a função de diretor de obra difícil…

Muitos dos meus clientes são engenheiros e reconheço que, devido à natureza da função, em particular os diretores de obra são uma das funções da Engenharia em Portugal que enfrenta maiores dificuldades em conseguir responder aos objetivos dos projetos e simultaneamente manter um equilíbrio nas várias dimensões da sua vida. Neste artigo, vou falar sobre isso.

Comecei por tomar consciência desta realidade já há alguns anos no papel de cliente quando construí uma casa e, nos últimos anos, trabalhando com vários diretores de obra no âmbito de cursos e programas de coaching.

Por isso, nos últimos meses, tenho pensado sobre como posso ajudar especificamente este grupo de profissionais. A solução não passa só por capacitá-los em melhores estratégias de gestão de tempo porque as necessidades são bem mais profundas e, inclusive, algumas refletem problemas estruturais e culturais do mercado onde operam.

Quando a ideia de fazer um programa de treino direcionado a diretores de obra começou a surgir, senti a necessidade de consolidar a minha perceção das necessidades destes profissionais e por isso, além de um questionário online, falei com vários diretores de obra, diretores de produção e fiscais.

Comecei por pensar que a maior necessidade estava essencialmente relacionada com a gestão de […]